Uso, abuso e a dependência química


Desde tempos imemoriais, o ser humano recorre ao uso de substâncias químicas para alterar seu estado de consciência, pelos mais variados motivos. Mas qual é o divisor do uso recreativo e do abuso com dependência?



Inicialmente, os motivos eram essencialmente religiosos, alguns deles ainda se mantêm. A própria sagração do vinho demonstra isso também. Não há quem não pense em uísque, por exemplo, e não faça uma ligação quase imediata com um símbolo da Escócia, orgulho de um país. Ou do saquê para os japoneses, a vodka para os russos e poloneses, e assim por diante.

As substâncias, lícitas ou ilícitas, todas elas podem gerar abuso e dependência química. Mas qual é o divisor do uso recreativo e do abuso com dependência?

O abuso e a dependência química, necessariamente, alteram a organização de atividades diárias do indivíduo, tornando-se ela, a droga, a principal atividade e objetivo do usuário. Com esse comportamento, aparecem outros, todos disruptivos da conduta pessoal, familiar e em sociedade.

Há, logicamente, marcadores biológicos, clínicos, em exames laboratoriais, que podem demonstrar o mal que determinadas substâncias que causam dependência são capazes de ocasionar, e isso reforça a necessidade de avaliação e tratamento do problema, do transtorno.

É a interação do dependente, de suas características biológicas e de personalidade com o uso abusivo que devem ser o foco da avaliação e tratamento.

Também há que se levar em conta que a dependência química leva a frequentes recaídas. Isso não deve ser considerado um fracasso do tratamento, mas sim uma característica totalmente explicável do próprio transtorno.

Fato é que, para dependentes químicos, o tratamento não pode se resumir a tirá-lo da síndrome de abstinência e corrigir os problemas clínicos, somente. Há que ser reestruturar toda uma nova conduta, uma conduta na qual a droga deixe de ser a prioridade para virar um problema a ser evitado, todo dia, a toda hora.

Há programas bem desenvolvidos para esse fim, e a Clínica da Gávea tem uma equipe dedicada a isso.


Dr. Jerson Laks

Diretor Médico da Clínica da Gávea